Advocacy – Amani Institute

< Voltar

03 - 08/05

Advocacy

Descrição do curso

Em seu sentido mais elementar, advocacy pode ser entendido como o ato ou processo de apoiar uma causa ou uma proposta. No contexto do trabalho da sociedade civil organizada, onde o advocacy é exercido de maneira mais ou menos profissional, ele compreende um conjunto de estratégias e iniciativas que visam à defesa de uma causa ou de uma proposta de interesse público. O advocacy visa informar e influenciar tomadores de decisão e o público, para que este apoie uma determinada visão sobre a legislação ou uma política pública.

Considerando que o advocacy normalmente está associado à defesa de causas que promovam o “interesse público”, uma primeira dificuldade para os empreendedores sociais é como incorporar o advocacy à sua vida profissional, bem como da sua organização. Este módulo tratará do advocacy a partir de alguns recortes e abordagens escolhidos por sua potencialidade em iluminar o tema a partir de conexões com a realidade dos negócios de impactos sociais.

Como eixo central do curso está o debate sobre o papel dos negócios nas sociedades contemporâneas. Apesar de suas crises constantes, não se pode negar o êxito do capitalismo baseado na economia de mercado em gerar e expandir a riquezas. Por outro lado, a concentração de renda adquire níveis cada vez mais extremos. O 1% mais rico detém 82% de toda a riqueza global. No Brasil, apenas cinco bilionários possuem a mesma riqueza que metade da população do país. Esses 50% mais pobres viram sua participação na renda nacional diminuir de 2,7% para 2% em 2017. Esses dados mostram que as políticas de redistribuição ainda desempenham um papel limitado frente ao necessário para refrear e reverter padrões históricos e estruturais de desigualdade econômica e social, notadamente racial e de gênero.

Nesse contexto, o sentido contemporâneo da responsabilidade social empresarial (ou corporativa) também passa por uma profunda transformação. A mudança de paradigmas fica visível quando se olha para a evolução do sentido da RSE, que aos poucos deixa de se limitar a algumas intervenções pontuais – como a construção de escolas, creches, hospitais e outros projetos em comunidades locais – para exigir das empresas a aderência aos padrões universais de respeito aos direitos humanos básicos na integralidade de suas operações. Enquanto que ações de filantropia e assistencialismo desempenham seu papel humanitário e continuam a ter seu lugar, as empresas se veem desafiadas a reestruturar seus próprios negócios para que estes contribuam para uma progressiva melhoria, e não retrocessos, no acesso universal a direitos fundamentais, como saúde, educação, lazer, trabalho e igualdade de oportunidades.

Os marcos de responsabilidade social empresarial, como a ISO 26000, estabelecem uma diferenciação entre ações de mitigação de impactos oriundos das atividades empresariais daquelas iniciativas voltadas ao apoio (ou “promoção”) de políticas de avanço na agenda de direitos fundamentais. Nesta última, encontra-se um espaço fértil para o desenvolvimento de iniciativas de advocacy pelas empresas.

A crescente conectividade humana por meio das redes sociais e outras formas de tecnologia acentuou ainda mais a tendência de envolvimento dos negócios com as causas “cidadãs”. Consumidores, investidores, fornecedores e toda a sorte de stakeholders têm levado empresas a assumir uma nova forma de “ativismo social”, notadamente quanto às ditas causas identitárias. Nesse processo de rápidas transformações, as ações se desenvolvem em sua maioria por uma necessidade de realizar um posicionamento de imagem, mas há casos de revisão da identidade corporativa e de seus objetivos para um alinhamento institucional mais profundo com essa forma de se fazer negócios no século XXI.

Além disso, eventos de grandes proporções como as mudanças climáticas têm impulsionado uma revisão de objetivos estratégicos e propiciado alianças entre as partes em busca de um objetivo compartilhado. Diante de todas essas oportunidades e desafios, além de outros que serão trazidos para compor o pano de fundo teórico, o módulo visa apresentar elementos fundamentais e oferecer caminhos práticos para a conciliação dessa atividade com o dia-a-dia dos negócios de impacto social.


Objetivos

  • Diferenciar os conceitos de advocacy e lobby;
  • Compreender a estrutura institucional do Estado brasileiro e os níveis de formulação de leis e políticas públicas;
  • Mapear a tipologia de técnicas atividades para o exercício do advocacy;
  • Identificar as etapas cruciais de elaboração e execução de um plano de advocacy;
  • Entender a aplicação concreta do advocacy por meio de estudos de caso.
Inscreva-se
Inscreva-se

Instrutor

Caio Borges
Conectas Direitos Humanos.
Mestre pela Escola de Direito da FGV-SP.

Horários

3 e 8 de Maio - Quinta e Terça: 18:30h às 22:30h

Curso em

Português

Contato

[email protected]

+ Google Maps

Saiba mais sobre Pós-Graduação em Social Innovation Management >